Todo glamour será recompensado.

Ordem e prosecco

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Name: Paloma de Montserrat

Tuesday, December 22, 2009

Explica-se

Eu sempre pensei nisso. Sempre morei no quarto andar com a minha família.
E, vira e mexe, aperto o quarto ao invés do meu andar.
Mas é sempre quando tudo está virado e mexido.

Friday, December 18, 2009

Colágeno

Amo e odeio na mesma medida.

E toda a minha vida eu esperei....

pelo o que mesmo?

Um pouco do balaço do fim de ano. O balancê, balancê.

Quero crer que esse ano valeu à pena. Mas do que qualquer outro porque este foi como eu quis. Ou como ele me levou. Quero crer que cada frase de livro que eu li, faz parte das linhas de energia que o dr Sang, falecido aculputurista, dizia que existiam.
Quero crer que cada filme visto, me faça criar um outro. E cada momento, eu me lembre como um filme. Quero e acredito que a cada viagem eu tenha ficado mais perto daqui, de mim. Que cada sono tranquilo tenha me deixado melhor. Estou prestes a fazer 36. Um palavrão, apesar de ser um número. O número mais palavrão que eu já escutei.
Quero ter amado mais. Ter falado mais verdades. Quero ter mais e mais personagens dentro de mim. Incluindo Simone de Beauvoir, Clarice e o eterno Homer Simpson de todas as terças e quintas. E quero um patrocioniozinho para o ano que vem. A vida é curta demais para se passar fazendo coisas que eu não quero.

A mesma praça

Sempre ela. Não sei porque mas a praça está sempre na minha cabeça. O seu cheiro de eucalipto, seu piso gasto. Ela pra mim é um palco e ontem quando passei estavam armando um cenário de um casamento. Um casamento na praça. Eles devem ter se conhecido por la. Imagine se essa moda pega. Casar onde o casal se conheceu. Na academia, no trabalho, no banco, na sala de espera de um médico e claro, no bar. Enfim, era linda a cena de três tendas em frente à várias cadeiras dessas de bar, todas enfileiradas. Nada mais público. Nada mais poético. Fui embora pra academia mas queria ficar. Eu devia ter sido convidada. Já devo ter parado para amarrar o tênis na frente do casal. Ou mesmo já devo tê-los xingado, chorando, quando eu ando chorando. E quando eu ando chorando não tem coisa pior do que ver casal se beijando. Dá vontade de partir para a agressão física. É uma falta de respeito, um banquete na frente de um mendigo. Enfim, fiquei triste porque o casal não me convidou mas mesmo assim não tirei o casamento da cabeça. Nem na hora que eu estava espantando os pensamentos na aula de yoga. Nem na hora que eu ouvi um trovão. Nem na hora que eu imaginei a noiva feito um pinto molhado, os guarda-chuvas voando, os convidados descendo a enxurrada de bunda como se fosse um tobogã. E o padre rezando.

Thursday, December 17, 2009

Vazio

Terminar de ler um livro da Clarice Lispector dá um vazio tão grande. É como se meu próprio pensamento organizado tivesse me abandonado. Vou sentir saudade da Lóri e do Ulisses. E de mim, que era os dois.

" Com desespero de fêmea desprezada viu o carro dele se afastar."

" Só um ou outro poste iluminado para iluminar o silêncio"

" NÃO ENTENDER era tão vasto que ultrapassava qualquer entender- entender era sempre limitado."

"Não digo que tenha muito, mas tenho ainda a procura intensa e uma esperança violenta."

" Aí estava o mar, a mais ininteligível das existências não humanas. E ali estava a mulher, de pé, o mais ininteligível dos seres vivos."

"...pois quase tudo o que importa não se sabe falar."

" Ó Deus! Ter uma vida só era tão pouco."



Um Aprendizado ou O livro dos prazeres.

Rei, Rei, Rei

Na entrada do ginásio do Ibirapuera, os vendedores que ofereciam o Panettone do Rei já prenunciavam que a noite seria surreal. Panettone do Rei! Recheado de emoções, hehe.
O estádio já estava tomado por caravanas o Brasil inteiro. Que vieram de busão, que entraram as 6 da tarde, todas unifomizadas. E que berravam tanto, mas tanto, que nem escutavam o Rei cantar. E o Rei cantou. Abriu o show com Emoções e eu chorava com muitas emoções dentro de mim. Chorava de lembrar quantas vezes eu cantei essa música, no Natal, no carro, no karaoke, com as amigas. E chorava quando olhava para a cafonice do telão com efeitos Hans Donner de doer os olhões.
Foi um típico show rebertocarliano. Com corinho do público no final " como é grande, o meu amor, por voooooooocê!". E uma dobradinha que abusou, tirou partido de mim, abusou: primeiro ele cantou Detalhes no violão e depois Outra Vez. Você fooiii...a mentira sincera, brincadeira mais séria que me aconteceu. E que a gente canta lembrando de quem é o "você foi" de agora. Cantar e chorar. Sem medo de ser feliz. É a coisa mais cafonamente gostosa da vida.


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Agora que o Rei tava bem estranho ele tava. Devia estar dopado de remédios para dor ou tá ficando velhinho mesmo. Esquecia palavras, trocava palavras.
Mas dor mesmo ele voltou a sentir quando teve que chamar ao palco: Calcinha Preeeeta. Meu deus! Era tão bonitinho ele chamando "o meu amigo, Erasmo Carlos!". A titia Globo judiou.


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Desta vez ele não jogou rosas para o público.
Acho que vou ter que ir de novo.

Friday, December 11, 2009

Me dá uma mão

Não sei ler a linha da mão.
Mas sei ler uma mão. Vejo uma mão e sei como a pessoa é. Assim como um tipo de sorriso. Não tem a ver com tribos, com QI, com sobrenome. Tem gente que tem a mesma mão e é igual. Assim como o sorriso.

Sobre entender

Quanto mais eu me entendo menos quero ser entendida. Não precisa.

Guarda-chuva

Sempre odiei um guarda-chuva.
Mas ele tem guardado momentos inesquecíveis nesse tempo de carroless.
Ele guarda você inteira, no seu mundo, no meio da chuva, no meio da gente.
Escute uma música.

E assim vai a vida

E a vida vai passando por mim
Com aquela certeza que a gente tem de um não sei o que
Com aquela brisa e o sorriso de lado que não é pleno, mas satisfaz
De quem anda cantarolando um, de novo, não sei o que, indo não sei pra onde
De quem quer, mas não sabe o que. De novo e de novo. E só por ser novo já se sabe que se deseja.
De quem é feliz, mas quer mais
De quem não mudaria a vida, mas quer que a vida mude
De quem muda, não sabe o que dizer
Sente, mas nunca é o bastante
E não tem mais tempo para pensar em ter tempo
De quem sempre quer o auge nem que ele seja simplista
De quem sonha com frases que nunca acontecem
Com sonhos que acontecem diferente
Com a vida que passa....
Amo profundamente a insatisfação.

Thursday, December 10, 2009

Lazarenta

"Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não termos um ao outro."

"- Quantos amantes você já teve? interrompeu ele.
Ela silenciou. Depois disse:
- Não foram propriamente amantes porque eu não os amava."

Do livro Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres (e das resposta, digo eu)
Clarice Lispector

Wednesday, December 09, 2009

Pelúcias

Amo tanto livros que vou começar a dormir com eles. Bem abraçada.

Os contratempos da vila

Um casal conversa definitivamente. Olhos nos olhos. Palavras muito importantes.
- Moça, um pano de prato?
- Vai pastel?
O que mesmo a gente estava falando?

Tenho

Tenho a insustentável e insuportável saudade de todos ao mesmo tempo. Dos amigos que eu vejo todos os dias e daqueles que eu nunca vejo. Dos amigos que eu nunca ligo. Tenho a vontade de estar com todos ao mesmo tempo em todos os momentos da minha vida. Tenho a vontade de participar de cada segundo da vida de todo mundo que eu gosto. Tenho o desejo de saber se meus clones teriam a mesma sensação ao mesmo tempo do que eu. Só e quiçá (amo quiçá), nem assim, eu ficaria satisfeita.
E ainda por cima já tenho saudade de quem eu ainda nem conheço.

Amo

As poesias nas paredes do metrô. As pessoas batendo umas nas outras na escada rolante enquanto estão lendo. São sempre as mesmas. Mas sempre entram diferente em você.

Devo não nego, mas não sei como pagar

Caro tempo,

eu sei que exigi muito de você esse ano. Pedi, implorei que você fosse só meu. E me parece que, desde abril, você cedeu. Abriu suas pernas de vento. Sim, serei seu por todo eu, você me disse. O problema é que você é como todo clichê de relacionamento. Quanto mais te tenho, mais você me escapa. Quanto mais te quero tranquilo, mais agitado você fica. E você fica me cobrando. Cobrando os livros que eu não li, as coisas que eu não escrevi, os amigos que eu não visitei. Um relacionamento saudável não é feito de tantas cobranças. E agora você deu para fugir de mim, sem que eu perceba. Anda me traindo. A gente tinha um pacto. Até que a falta de dinheiro nos separe. Mas sinto que você está se afastando a cada dia. Te procuro durante o dia. Mas só te encontro à noite. Você não precisa ser igual à mim para darmos certos. Já diriam todos os auto-ajudas, os opostos se atraem. Gosto de ter você durante o dia, ao meu lado, tranquilo, lento, carinhoso. Volta pra mim. Por favor.

A palavra mais gostosa dos últimos tempos

Cafona, cafona, cafona, cafona, cafona, cafona. Mil vezes cafona.

Uma tarde bem triste

Ontem chovia. E fui encontrar uma das pessoas mais queridas da minha vida. Ela estava toda molhada. Encharcada de sofrimento. Se um enterro é triste, um enterro com chuva molha mais ainda a alma de quem não consegue se enxugar. De uma irmã que perdeu os dois irmãos recentemente. Que eram filhos também porque ela, com toda sua gigantisse, cuidava dos dois, da mãe, do mendigo, do mundo. Mais triste ainda para a própria mãe, que perdeu os dois filhos. E que tinha os olhos distantes. A mãe pedia licença para todos porque sentada, não podia perder o filho de vista. Ainda que o filho não existisse mais. E a filha chorava ao ver a mãe, que é também sua filha. E o irmão, que era seu filho. Se estou confusa no explicar, é que todos aqueles sentimentos ali também estavam confusos, molhados. O caixão foi fechado e na garoa foram todos dar o último adeus ao falecido. E a cada pá eu chorava. Chorava não pelo morto, que eu nem conhecia. Mas chorava de raiva por ele ter morrido. Chorava de raiva pelo outro irmão ter morrido. Chorava de desespero por ver o desespero da minha amiga. Minha amiga que dedica a vida para a família. E a família que dedica a morte à ela. Minha amiga, minha ex-chefe querida, que eu considero como uma segunda mãe. Que foi mãe de tanta gente. Queria pega-la no colo. E faze-la ninar, como se fosse uma filha.

Mula empacada

Apesar de gostar de novidades, não gosto de mudanças. Adoro conhecer o novo, contanto que isso não signifique modificar o velho. Não adianta, sou mula empacada. Sou controversa. Sou a moderna tradicional. Sou esse texto do Marcelo Coelho:

O declínio moral do panetone

DESDE QUE me dou por gente ouço críticas ao consumismo natalino. “Não existe mais nenhum espírito cristão… É só comércio”, dizia minha mãe, por volta de 1965. A palavra “consumo” ainda não estava em voga.
Não tenho motivos, portanto, para reclamar da “descaracterização” do Natal.

Mas tenho algo a dizer sobre a descaracterização do panetone. Aqui, sim, o fenômeno é grave, relativamente recente e irreversível. Não me refiro aos panetones do governador Arruda, cuja imaterialidade, até o momento, não deixa de trazer um apelo ao mínimo de fé e misticismo que ainda se aninha no coração humano.

Falo dos panetones de verdade, os que se apalpam, cheiram e comem nesta época do ano. Nunca foram a melhor coisa do Natal; quando criança, eu tampouco dava bola para amêndoas, castanhas e avelãs. O sabor de frutas cristalizadas talvez não seja o mais atraente ao paladar infantil: a beleza daqueles cubos de cidra verde, raros no meio de algumas passas amarelas e pretas, trazia à boca uma certa decepção escorregadia e saponácea. A massa, pronta a ressecar-se, bastante queimada na parte da baixo, nada mais era, para mim, que a de um pão doce de padaria.

O panetone, enfim, estava na categoria do sorvete de creme, do arroz-doce, do manjar branco, do doce de batata-doce, do incompreensível sequilho, do chatíssimo biscoito amanteigado: coisas de velho, prazeres pálidos, católicos, parentes de papas e mingaus.

Só mais tarde comecei a gostar de panetones. A verdade é que melhoraram muito: a química progrediu, tornando-os mais perfumados e macios, com mais frutas, menos casca preta. Melhoraram. E depois entraram num processo de completo declínio.

Declínio moral, faço questão de frisar. Ético, espiritual, deontológico. A semente da corrupção começou quando foi inventado o chocotone.

O consumidor, como bem sabem os fabricantes, não resiste ao chocolate. Imagino que as vendas de panetone não andassem lá essas coisas. Era preciso conquistar novos mercados; as crianças, que nada encontravam de interessante nas frutas cristalizadas, foram seduzidas.

Os pingos (ou melhor, as “gotas”) de chocolate entraram na massa do panetone como os soldados gregos no cavalo de Troia. A praça foi então conquistada cruelmente.

Hoje, não basta o chocotone. Vejo, nos anúncios, uma Pandora de versões, variações, heresias e blasfêmias. O panetone de Prestígio, por exemplo. Já não bastava o ovo de Páscoa?

Antes liso, puro, perfeito como uma escultura de Brancusi, o ovo de Páscoa empipocou-se de “krispinhos” de arroz, engravidou de marshmal-low, regurgita amendoins, dá à luz Barbies e bonequinhos de Homem-Aranha. O tradicional panetone, antes vetusto e inexpressivo como um doge de Veneza, calvo e redondo como um cardeal milanês, viu-se revestido de um gorro de chocolate; empapuçou-se de doce de leite; contrai sarampos de goiabada e cataporas de morango.

Panetones de chocolate branco, panetones de brigadeiro, panetones cor-de-rosa. “Prestigiotones”, “bananatones”, “vienatones”. Vi um em que até a massa é de bolo de chocolate.

Rabugices minhas, pode ser. A escolha do cliente se diversifica. Mas o que se ganha em variedade representa, no fundo, uma vitória da uniformização. Gostando-se ou não do panetone tradicional, era uma coisa só, a ser consumida num período determinado do ano. Chocolate se come o ano todo. Reencontrar na mesa natalina o bombom Prestígio, o brigadeiro, o Chokito, não deixa de ser uma perda, desse ponto de vista.

Sou um grande chocólatra, mas ainda assim começo a ficar incomodado. Uma vez que o chocolate é insuperável, passa a ser utilizado universalmente. Já existe macarrão de chocolate, pizza de chocolate e pipoca com chocolate; logo a farofa natalina terá “gotas” de chocolate, e o peru com ele será recheado.

Os cheiros típicos da época do Natal -castanha assada, pinheiro, especiarias, panetone- desaparecerão num tsunami de chocolate derretido. Na melhor das hipóteses, será sempre Páscoa. E escolher entre ovos ou panetones, pamonhas juninas ou frutas da estação, perus ou pizzas de domingo, dará mais ou menos na mesma: tudo terá cobertura de chocolate. Vai ser, digamos assim, como escolher entre partidos políticos: mas esses não se cobrem de chocolate.

Monday, December 07, 2009

Fla-fê

Amo que este seja o país do futebol. Teve coisa mais emocionante do que a última rodada do campeonato brasileiro? Uma hora era o Inter campeão, outra o Flamengo, uma hora os porcos iam pra libertadores, outra não. Enfim, fico imaginando a aflição de milhares de pessoas em suas casas, nos bares, nas ruas. Eu, por exemplo, que sou corinthiana, estava torcendo muito para o Flamengo. E como estava com um gremista, fomos procurar por aí onde tinha uma TV passando esse jogo. No Sacha só dava Palmeiras. O Peixe Boi era o reduto dos São Paulinos (não sei como, todos pós-de-arroz, naquele bar tão fuleiro) e eis que no Pira Grill encontramos umas tvs que mostravam o Imperador, sempre ocupando a metade da tela de tão grande, e sua corte. Nas ruas? Fenos rolavam e passavam imponentes pela todo-domingo-cheia rua Wisard. Todos nas TVs, grudados, torcendo com suas mandingas e suas camisetas. E me peguei num bar em São Paulo, assistindo um jogo onde um time era carioca e outro gaúcho com a torcida da mesa da frente, todos da Paraíba (pelo que eu pude concluir) torcendo para o Flamengo. O que não torcia, levava uns tapões na cabeça de vez em quando e ficava quieto. Vimos de tudo. Vimos um torcedor do Inter levar a camisa do Grêmio no estádio (essas matemáticas sensacionais de quando você precisa do seu arqui-inimigo para ganhar), vi o Obama na torcida do Flamengo, vi os porcos chorando, os bambis blazés como sempre, vi uma passeata de comemoração com 4 flamenguistas que faziam o barulho de 20 e vi a maior torcida do Brasil ganhar o título depois de 17 anos. E se é a maior torcida, a maioria desses sofredores malucos ficaram felizes. Então eu também fiquei.

Thursday, December 03, 2009

Vai Chuva

Vai chuva, lava a minha ladeira
Por onde voce passa todos os dias
Chove la fora
Chovo aqui dentro

Esgotada

Hoje me sinto esgotada, triste
Cansada de lutar quixotescamente por coisas que nunca vão acontecer.
Cansada de dizer a mais pura verdade e mesmo assim não ser levada a sério.
Um sentimento nordestino, envelhecido precocemente, surrado, esvairido.
E num respiro de lucidez, vou colocar esse sentimento para dormir. Descanse em paz. Para sempre.

Wednesday, December 02, 2009

Sonhos

Hoje tocou o despertador para a Yoga das 8. Desliguei. Sonhei que tinha levantado, colocado a roupa, a meia, o tênis. Fui pro banheiro, escovei os dentes, nem penteei o cabelo. Gosto de aparecer com cara de sono na yoga, que é a continuação do meu sono. Pronta e de óculos escuros voltei pra dormir mais 5 minutos. Acordei pelada. E assim está a minha vida. Sonho que faço e não faço nada. É bom sonhar.

Tuesday, December 01, 2009

Ando pensando

Na ladeira da preguiça
Na Alice e seu castelo de copas.
No absoluto do olhar
Em não perder o caminho das índias

Monday, November 30, 2009

Hablando com as mãos

Já que em Cuba não se pode se falar muito, eles usam sinais.
Quando a coisa é muito boa, eles mandam beijinhos com as mãos.
Quando a coisa é excepcionalmente boa, eles fecham uma mão e batem com a outra aberta em cima.
São fudidos até nos sinais.

Um descanso




E no meio de tanta história, tanta pobreza, tanta falta de liberdade ainda tinha o mar. Límpido, transparente, calmo. Como tudo devia ser.

Friday, November 27, 2009

Pelas Calles


Andar pelas ruas de Havana é entrar um pouco na casa de um cubano. Todas ficam abertas. Nas Tvs, a novela brasileira. No rádio, um bolero. No sofá, um tiozinho de boina. E foi bisbilhotando numa dessas casas que descobrimos um aniversário. A mãe, toda orgulhosa da filha, nos convidou para entrar. Dei meus chicletes todos para a Gabriela. Parabéns pelos seus 7 anos. E que ela possa crescer sabendo mais sobre o mundo, do que o que se passa numa novela da Globo.

Cubalançando


Quando saí daqui, tinha acabado de ler o livro da Yoani Sanches, onde ela contava barbaridades sobre a ilha. Quando eu sai daqui ainda tinha esperanças de que aquilo tudo que eu li fosse exagero, sensacionalismo, auto-promoção, sei lá. Não era. Talvez até seja um pouco pior do que o pior que ela pintou.
Na chegada, tudo parece um paraíso. Havana não é tão suja como eu pensava, não é tão destruída como eu pensava e, à primeira vista, também não é tão triste. Mesmo porque um povo que tem a música como o seu mais alto pilar não consegue ser totalmente infeliz. Por fora, bela viola. Por dentro, um bolero bem triste.

A verdadeira situação

Educação, saúde, igualdade, alimentação para todos, liberdade. A cada conversa um por um desses ítens ia caindo dessa lista do ideal socialista.
Sim, todos tem educação. Sim, todos tem direito à hospitais e médicos. Mas pelo que eu pude notar até isso não anda muito bem das pernas. Os melhores médicos e professores vão para "missões" em países hermanos como a Venezuela do titio Hugo, para ganhar um pouco mais.
Sobre a alimentação, eles ganham uma cesta básica todo mês. Arroz, feijão, azeite, leite, pão, peixe (quando tem...lembrando que eles vivem em uma ilha). A cesta custa realmente muito barato para eles: são 10 pesos cubanos.
(Existem duas moedas: os pesos cubanos, usados pelos moradores. E os CUCs (pesos convertibles), usados pelos turistas. Cada CUC vale 24 pesos cubanos. O câmbio é o seguinte: 1.3 euros equivalem à 1 CUC.)
Fazendo todas as conversões chega-se à conclusão que a cesta sai quase de graça para eles. Mas tem um chico detalhe: ela não dura nem uma semana. Depois eles tem que comprar o que falta à preços do mercado normal. O que para ele é praticamente impossível. Para se ter uma idéia, os maiores salários são os dos músicos (15 CUCs por mês). Depois vem o salário dos médicos. Logo abaixo o dos engenheiros. E o resto...
Me disse um amigo cubano que se te pegam com um pacote de carne na mão e você não tem a nota fiscal, você pode ir preso. Aliás, se te pegam conversando com um turista e você não tem emprego, você vai preso. Se te pegam falando mal do governo, você vai preso. Não existe imprensa livre, não existem partidos, não existe internet (existe, mas é caríssima e cheia de sites bloqueados), não existe a possibilidade, mesmo que você tenha dinheiro, de se viajar para fora da Ilha. A não ser que você seja convidado. Para que eu, Fernanda, convide meus amigos cubanos para o Brasil eu tenho que ir até a embaixada de Cuba aqui no Brasil, fazer uma carta e esperar meses por uma aprovação. E se meus amiguinhos cubanos ficarem mais de 11 meses aqui, eles são expatriados.
Essas e muitas outras coisas os deixavam com uma vergonha tremenda, uma raiva e uma melancolia que eles tentam espantar cantando, dançando e fazendo amigos. Fazer amigos de fora é trazer um pouco do mundo que eles são proibidos de conhecer para a ilha da fantasia, onde tudo seria lindo, se não fosse mentira.

Chupa Kassab

Não existe trânsito na ilha. Nunca, em nenhuma hora do dia. Do alto do vigésimo andar do nosso hotel avistávamos avenidas vazias. E se não existe tranque (congestionamento, como eles dizem lá) não tem poluição nas ruas. Mas há fumaça, muita fumaça. De cigarro, charuto, cigarrilha, cachimbo ou qualquer outra coisa que se ponha na boca. Se fuma dentro do aeroporto. Os funcionários fumam dentro de cabines fechadas de atendimento ao turista. Os garçons fumam com os clientes. No nosso hotel se fumava até no elevador. E, milhares de vezes, vimos pessoas fumando logo ali, embaixo de uma placa de proibido fumar. Aqui, como diria um garçon, liberdade és nicotina. Pelo menos essa liberdade eles tem. É tanta paixão pelo fumo que até o sorvete (uma outra febre por aqui) deve ter um sabor tabaco.
Outra coisa: em Cuba não tem avisos nos cigarros como "cigarro mata", "cigarro dá câncer" ou "cigarro brocha". É algo muito mais light como: leve uma vida mais saudável, não fume.

E.U.A

Uma coisa não se pode negar. É adorável a maneira como eles cagam para os E.U.A.
Na embaixada dos EUA não tem embaixador. Ela só funciona para assuntos diplomáticos. E bem ao lado dela construiram um imenso lugar para shows e comícios com bandeiras negras com estrelas no meio. Cada bandeira signifca um cubano que morreu por um ataque terrorista dos EUA. E o dólar sofre uma desvalorização de 25% no câmbio.

Havana Vieja

Em cada canto, um canto.
Em cada esquina, um maior.





Música

• Já tinha ouvido falar que Havana era pura música. Mas como tudo em Cuba, não adianta ouvir falar. Tem que ouvir e sentir ao vivo. E foi assim quando chegamos ao nosso primeiro (e quase único) bar por lá. Logo após o nosso primeiro ( de milhares) mojito, uma banda começou a tocar. Aliás, tem banda nas esquinas, em todos os bares, em cima dos lustres, nos postes de 1950. E todos tocam tudo. Mas voltando à banda, assim que a salsa começou nunca mais parei. É humanamente impossível ficar parado. Os cantores não usam microfone, mas suas vozes ecoam quarteirões. Tudo dança. Até o canudinho dá voltas. Nem os garçons se aguentam. É um mantra. Uma devoção. Quando vi, já estava no meio de um trenzinho dançando em volta das mesas do bar. E quando a música parou parecia que o efeito do lança perfume tinha terminado. O corpo todo tremia e tive que pedir mais um mojito.

• Alguns mojitos mais tarde fomos parar no Gato Tuerto. Um lugar de jazz com espelhos e paredes completamente tuertos. Mas como estávamos tuertos também, tudo ficou direito. Principalmente quando a cantora Ella Caldo subiu ao palco. Totalmente vesga, com um vestido negro furado e saltos desgastados. Ninguém respirava. E ela cantava:

" és un pedaço de el alma, que se arranca sin piedad..."

" se tienes ganas de llorar, piensa en mí..."

e até um Robertão:

"hablando sério..."

Acabou o show e eu estava vesga, toda rasgada e descabelada na platéia, aplaudindo a diva mais bela no palco.

• Faz dois dias que eu cheguei e continuo com as maracas, as flautas e os batuques na cabeça. E acho que elas não vão sair tão cedo daqui.


Alfredooooooooo! Cadê o papel higiênico?

Jingle bell, jingle bell, em Cuba não tem papel. Papel higiênico, gardanapos e até saquinhos de pipoca (elas vem no plástico) são artigos de luxo. E se nem papel tem, fico imaginando o sofrimento das mulheres quando estão naqueles dias. Conhecemos umas espanholas que eram amigas de uma cubana um pouco mais abonada (sim, existe a elite cubana) e, mesmo na casa dela, disseram que tinha um estoque de papel higiênico acima do normal. Porque falta, falta mesmo.
E o que o Alfredo tem a ver com isso? Tudo. Alfredo foi um cara que conhecemos no Gato Tuerto e que estava sentado numa mesa muito estranha: um gordo bonachão que acendia um charuto no outro ao lado da prostituta mais bonita de Cuba que, depois de beijá-lo, tinha que dar uns tragos no "puro" para não vomitar; umas outras prostitutas, um cafetão e um outro cara bem apessoado. Na mesa não tinha miséria: petiscos de camarão, mojitos, whisky. Todos eram cubanos. De novo: todos eram cubanos. Alfredo, de blaiser, começa a dançar com a gente e nos indica um lugar para irmos no dia seguinte. Um lugar onde, segundo as suas palavras: não iam muitos turistas, só cubanos.
Dia seguinte, animados com uma noite de salsa, fomos ao tal lugar: Dom Cangrejo. Primeiro jantamos num restaurante de mesmo nome maravilhoso. Quem for não vai se arrepender. E depois, atrás do restaurante, tinha a tal balada "tipicamente cubana", em volta de uma piscina. O que vi me chocou. Queria chacoalhar o Che na tumba pra ver o que haviam feito com a revolução. A igualdade e a liberdade no lugar eram claras: TODOS eram brancos (99%), TODOS usavam perfumes importados, TODOS tinham celular, TODOS dançavam Amy Winehouse, TODOS bebiam vodka com redbull (não tinha rum, essa bebida de pobre).
E claro, TODOS deviam ter papel higiênico em casa, né Alfredo?

Fiz um video-denuncia, dá uma olhada nessa Havana/Maresias e vê se eu não tenho razão.

José


José tem 7 anos e já sabe o que ser quando crescer: músico que nem o pai. Carlito, seu pai e percursionista da banda o levou no show do sábado. E ele ficou lá, com olhos famintos, tentando aprender todos os passos, todos os ritmos, todos os sons. Me apaixonei pelo menino. Todos nós nos apaixonamos. Ele era lindo, compenetrado, aplicado. E idolatrava o pai. Não mexia um músculo sequer quando o Carlito fazia seu solo. Começou de ladinho, meio tímido, mas no final já dava voltinhas com a galera e abria um sorriso que me fazia tombar mais que rum puro. Combinamos de dar 10 Cucs para o pai dele, para incentivar o menino e quando fomos entregar o dinheiro e os parabéns para o Carlito ele gelou. Olhou o dinheiro com temor. Depois descobrimos que lá se teme tudo, que não deveriamos oferecer aquele dinheiro assim, na rua. Ele enfim aceitou o dinheiro mas explicou que não queria que o menino gostasse da música por ele. Queria que ele gostasse da música pela música. E só.
O menino chegou e todos fomos correndo conversar com ele. Mas José não falava uma palavra, tímido. Perguntamos qual instrumento que ele mais gostava. Ele nada. Aí o pai respondeu que era a percursão, mas que ele ainda não tinha as mãos para isso. Discretamente, o pequeno olhou com pesar as suas mãos pequenas. Discretamente eu chorei.

As noites de Havana


Se quer conhecer a verdadeira noite dos cubanos, eu não indico nenhum lugar. Mas indico todas as praças, todas as ruas e o Malecon (calçadão imenso na beira do mar). Eles simplesmente não tem dinheiro para entrar em lugar nenhum. Mas lá, como aqui, pobre se diverte com pouco. E se diverte muito. Bastam umas garrafas de rum (la é ron com o), cola-cola (não a verdadeira, a local), uns puros (charutos como eles dizem lá) sem selo, instrumentos e voz. As noite se passam ao ar livre, cantando, fazendo piada, conhecendo gringos como a gente, dançando e inventando repentes entre refrões como este:

"Tomando, tomando, tomando ron sin banhar-se. Tomando, tomando ron sin banhar-se..."

A moda cubana


As mulheres são sempre espetaculosas, altas, com vestidos justos. Você não é cubana se não usar uma mini-saia. Mas o maior hit entre elas são as unhas postiças. E coloridas.
Os homens usam correntes, camisas abertas, calças jeans com todo o tipo de lavagem e apliques. E sapatos de bico fino pra combinar com o som.

Adoráveis carros velhos





Não tem como não se apaixonar pelos carros de la. Claro que alugamos um. Foi uma tarde tipicamente palomesca com direito a passeio no Malecon, produção dos anos 50 e...O rum que me desculpe mas dessa vez teve que ser com champa.

Viva la nueva Revolucion




Fotos de quando eu ainda acreditava na antiga revolucion. Agora quero ressucitar aquele gato do Che para fazer uma nova.

Tiazinhas globalizadas


Las noches de una Paloma en Havana Vieja





Wednesday, November 18, 2009

Diferenças

Todo mundo está à procura de alguém. Só que entre homens e mulheres os motivos dessa procura são bem diferentes:
Mulheres:
Ai, quero namorar, casar, ter a minha casinha, ter filhos...
Homens:
Tô precisando dar uma sossegada. Tô saindo demais.

Tuesday, November 17, 2009

Só complementando...

Como ja disse, nada sei sobre essa viagem para Cuba. Só sei que eu quero usar vestido rodado, decote e uma flor no cabelo. E quem me dera ser morena. Morena da cor das minhas sardas.

Cubalançando

Amanhã vou pra Cuba. Ver cubalançar (piadinha inevitável).
É muito estranho. Porque não tenho a menor idéia do que essa viagem vai me trazer. Não sei se vou amar o Fidel, se vou odiá-lo. Se vou ficar deprimida com a situação de pobreza da população. Ou se vou fumar um bom charuto e tomar um mojito, ao som de uma salsa vendo negões bailarinos à minha frente, sem pensar em nada. Não sei se vou conseguir escrever no blog. Não sei, se eu conseguir escrever, se me deixam voltar para o Brasil. Não li guias, não preparei a viagem como costumo. Ainda não sei o significado de liberdade para eles. Mas sei o meu. Liberdade é saber que eu nunca sei o bastante. Mas que posso saber sempre mais. E viajar sem saber é uma liberdade terna. Nunca me deixem sem ela. No me gusta perder la ternura. Jamas!


" Se eu fosse um pássaro eu queria sesse um urubu, porque ninguém nunca ia me prender numa gaiola."

do filho do Ronaldo Fraga

Thursday, November 12, 2009

Nenhuma saudade

Lendo o jornal hoje encontrei vários anúncios de oportunidade sobre o apagão. Não tem coisa mais antiga que isso. E boba.

Wednesday, November 11, 2009

De novo Fernando Pessoa, porque tenho que aprender

Todo o mal do mundo vem de nos importarmos uns com os
outros.
Quer para fazer bem, quer para fazer mal.
A nossa alma e o céu e a terra bastam-nos.
Querer mais é perder isto, e ser infeliz.

Personagens

Tem dois personagens que eu amo demais. A primeira é a Alice (a do país das maravilhas). Esse negócio de ficar pequena e grande no meio das coisas já foi motivo de vários posts. E o segundo é Dom Quixote. Amo. E várias vezes me sinto ele. Lutando por coisas que só eu acredito. Grandes para mim, pequenas para os outros. Dom Alice Quixote de La Mancha no País das Maravilhas.

Fenomenal

Primeiro queria dedicar meu amor ao youtube que, em tempos de apagão, pode colocar ao meu dispor a entrevista do Jô com o Ronaldo Fenômeno. Chic, bem humorado, humilde sem ser piegas, pleno. Podem falar o que for, mas aqueles gols e aquele sorriso ganham qualquer um e qualquer jogo. Ganham até o pernóstico camuflado Jô (não fui eu quem disse, foram os muros da cidade: Jô Soares Camulfla!- melhor que os gêmeos). Rô, você é incrível, sou sua fã incondicional com flagra no motel ou sem.
Youtube, para você ser perfeito mesmo, só se eu colocasse: Montsehouse, velas, apagão. E pudesse ver tudo de novo.

Tuesday, November 10, 2009

Boteco Bohemia

Mais um ano, os mesmos amigos, os mesmos petiscos, os mesmos sambas. Tudo maravilhosamente igual.
Desculpa aí Paulinho, não conseguimos ficar até o final do seu show. Foi um Planeta Terra que passou em minha vida.

Planeta Terra

Quando entrei no Playcenter e vi tudo iluminado já vi que iria ser bom. Vi com os meus olhos de 12 anos vendo os lixos com boca de monstro que eram os mesmos. E o jingle da montanha encantada que não saía da minha cabeça. Aí choveu e eu desanimei um pouco. Mas esqueci que criança não tem medo de chuva e percebi isso quando estava entre uma batida e outra do carrinho de bate-bate. E foi tudo igual, porque como antes eu continuava olhando para o teto do brinquedo e vendo os estalos brilhantes na ponta de cada cabo do carrinho. Crianças nerds viram adultos nerds. E não é que tinha um bobão que fugia das batidas.
Imune à chuva e tomando cerveja como se fosse guaraná Taí fui até a montanha-russa. Que lindo ver o show la de cima antes de tentar descer com os braços soltos, sem segurar na barra. E o melhor, dava pra repetir sem fila.
Sem fila também estavam os banheiros já que as mães não tinham que acompanhar as crianças. Mas tinha gente passando mal. O menino que mais passou mal, na verdade, subiu no palco e fez a mair bagunça. "Na montanha, encantada...I want to be your dog!". Esse Iggy é realmente o mais capeta da classe. Ficou fazendo bunda lelê para todo mundo. E eu achei demais.
Ainda rolou de encontrar milhares de amiguinhos, da Carol conseguir uns vips pra gente comer hamburguinho e tomar vodkinha com energetiquinho, de ver uns moços fantasiados de ets no show do N.A.S.A. Tudo isso com a melhor companhia do Planeta Terra.
Esta noite eu descobri que eu sempre vou ser criança.
Descobri outra coisa também, mas isso eu não posso contar aqui.

Friday, November 06, 2009

Sexta

Não tem coisa mais gostosa do que ir pra aula de francês as 4:00hs da tarde, sair depois pra tomar uma cerveja na Augusta com a Toty e uns amigos e dar risada. Muita liberdade.
Só que pra mim é o contrário. É a celebração do fim da semana. E não do começo do fim-de-semana, que geralmente é mais chato.

Acabou

Finalmente acabou a Mostra. Depois vou ficar triste porque acabou. Mas nem eu tava aguentando mais. Como diria a Toty, faço tudo exagerado. E até diversão vira obrigação. Os últimos:
• Soul Kitchen
De novo, não aguentei e fui ver. Amo o Zinos.

* Ninguém sabe dos gatos persas.
Iraniano sobre banda Indie. Aliás, queria o CD. Será?

• Programa de curtas.
Vergonha. Saí envergonhada. Um pior que o outro.

• Um filme bobagem suéco sobre um super-herói intergalático trapalhão.

• I love you Phillip Morris
Engraçado. Só.

Thursday, November 05, 2009

Sentimentos novos

Nunca achei que a vida fosse parecer tão leve, tão gostosa, tão boa.

Tuesday, November 03, 2009

O costume

A mostra está quase no fim e descobri que eu já sei:
já sei como eu posso recarregar meu cartão fidelidade do metrô, já sei como equilibrar uma pipoca, uma coca zero, o crachá e o ticket, já sei só de olhar quem vai ficar falando durante a sessão, já sei qual a cabine do banheiro menos usada que sempre tem papel-higiênico, já sei o tamanho das salas e portanto quando eu não devo pegar a fila da classe-média que adora fila, já sei que os preços do café do Cinesesc são os melhores e as porçõeszinhas também, que todo mundo que me encontra depois de um filme acha que eu sou débil-mental porque eu não falo coisa com coisa. E principalmente: já decorei cada palavra do comercial da Petrobrás com pessoas de todas as idades e etnias. E o mais idiota é que eu fico repetindo em voz baixa toda vez que passa e as pessoas do meu lado dão uma afastada de ombro.
Já sei também que, como diria o Suppion, virei Fernanda Button. Tinha emprego, salto-alto, carro, bolsa. Agora sou estudante, tenho mochila, tênis, ando de metrô e me nascem espinhas. E tô louca pra chegar a hora de dar o primeiro beijo.

Mais muitos deles

• O amor segundo B. Schianberg (Brasil-Beto Brant)
Um casal, 8 câmeras dentro de um apartamento durante um feriado de carnaval e o Beto Brant brincando de joystick no apartamento ao lado. O amor segundo Beto Brant é sensacional.

• O homem que comia cerejas.
Filme iraniano em preto e branco onde a parte da cereja é colorido. Precisa dizer mais?

• Luas de Mel
O diretor Goran Paskaljevic estava na sala. E eu gostei dele. E quando gosto do diretor ja é meio caminho andado para gostar do filme. O outro caminho quem andou foi um casal sérvio e outro albanês. Ambos querendo fugir dos seus países. Ambos querendo fugir de preconceitos. Ambas as fugas frustradas. Filmes são escolas. Amo.

• Todos com quem dormi.
Muito bom de assistir no bar do Cinesesc tomando um vinho e dando ótimas risadas. Até porque o filme é o resumo das nossas conversas de bar. Adorei.

• Traga-me Alecrim
Ai que aflição. Isso porque eu não tenho filhos. E tenho medo de pais mais irresponsáveis e crianças do que as próprias crianças.


* Quem você ama
Filminho divertido sobre a história da Chess Records. O rock'n roll é o filho do blues, que morre no final.


• Samba na praça Roosvelt
Interessantíssima a história de Fernanda Machado que saiu no meio da mostra, numa tarde de sábado ensolarada que não merecia ar-condicionado (e nem ser tão condicionada), pegou um táxi e foi sambar na vida real na praça Roosvelt porque ninguém é de ferro.


• Beket
Uma piração. Mas eu gostei.


• All Tomorrow's Party
Documentário sobre festival de rock com curadoria de bandas como Sonic Youth e Portshead. Sempre bom saber.


• Alga Doce.
Achei bom mas esperava mais.


• Antes que o mundo acabe.
Fofo, lindo, sem pretensão, sem medo de final feliz. Quando eu vi já tava chorando.


• O sol do meio dia.
Com pretensão. Mas tem o Chico Dias que sempre vale a pena.

Singularidades de uma rapariga Loira

O filme do Manoel de Oliveira na mostra. Já valeu só por ter escutado um Fernando Pessoa:



Ontem à tarde um homem das cidades
Falava à porta da estalagem.
Falava comigo também.
Falava da justiça e da luta para haver justiça
E dos operários que sofrem,
E do trabalho constante, e dos que têm fome,
E dos ricos, que só têm costas para isso.
E, olhando para mim, viu-me lágrimas nos olhos
E sorriu com agrado, julgando que eu sentia
O ódio que ele sentia, e a compaixão
Que ele dizia que sentia.
(Mas eu mal o estava ouvindo.
Que me importam a mim os homens
E o que sofrem ou supõem que sofrem?
Sejam como eu — não sofrerão.
Todo o mal do mundo vem de nos importarmos uns com os
outros,
Quer para fazer bem, quer para fazer mal.
A nossa alma e o céu e a terra bastam-nos.
Querer mais é perder isto, e ser infeliz.)
Eu no que estava pensando
Quando o amigo de gente falava
(E isso me comoveu até às lágrimas),
Era em como o murmúrio longínquo dos chocalhos
A esse entardecer
Não parecia os sinos duma capela pequenina
A que fossem à missa as flores e os regatos
E as almas simples como a minha.
(Louvado seja Deus que não sou bom,
E tenho o egoísmo natural das flores
E dos rios que seguem o seu caminho
Preocupados sem o saber
Só com florir e ir correndo.
É essa a única missão no Mundo,
Essa — existir claramente,
E saber faze-lo sem pensar nisso.
E o homem calara-se, olhando o poente.
Mas que tem com o poente quem odeia e ama?

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXXII"
Heterónimo de Fernando Pessoa

Friday, October 30, 2009

Achei demais

Um amigo estava contando ontem que roubaram o seu I-Pod e que ele pegou o do pai até ele comprar outro. Disse que começou a escutar músicas que ele nunca imaginou que o pai, engenheiro químico, escutasse. Escutou ACDC, Led Zepelin, escutou músicas francesas de quando o pai morava em Lion. Escutou o seu verdadeiro pai dentro de um aparelho de mp3. Aquele pai que que não toca pelo telefone, muito menos pessoalmente.

Mostra mais

Eu e essa minha birra com os EUA, mas os filmes não negam.

Lymelife:
Filme que mostra como um dos Baldwins engordou e ja que está assim ja pode atuar em um independente que tem morte estarnha no final para dar uma chocadinha no publico.

Querido Lemon Lima:
Li que a direção era da produtora de Eu, Você e Todos Nós e fiquei interessada. Mas não fui feliz como o filme queria que eu fosse. Sério que era a mesma velha história de um colégio americano onde feios, mancos, nerds, albinos e étnicos que são marginalizados se dão bem no final. Com uma trilhazinha indie e intervenções de desenhinhos e colagens.
Entrei no elevador depois da sessão com um bruta montes que me perguntou sorrindo se eu tinha gostado do filme (achando que eu, de saia rodada e tiara na cabeça era o público-alvo e que responderia: ai, ameeei! muuuuuito fofo!) e eu respondi: achei médio. O sorriso dele se transformou em carranca num morfe mais rápido que o do clipe do Michael Jackson. Ele nem olhou mais para a minha cara. Os brutos também amam.

Já os Europeus:


O pequeno Indie:
Amei. O tema é muito diferente, a trilha é ótima, o ator é ótimo. Até a abertura é demais. Não aguento adolescentes envergonhados com bochechas avermelhadas.
Muitos questionamentos:
Amar, odiar. Dar vida, matar. Ser santo, ser filho da puta. Tudo na mesma pessoa. Somos todos essa mesma pessoa.


Preciso mesmo fazer isso?

Documentário Turco que foi bom por rever Istambul. Ai, os Turcos.

Constatação

Toda vez que vou pedir uma pipoca nos cinemas me sinto numa versão culinária da camisaria Varca. Sempre quero uma pipoca PP, mas não existe.

Irritando Fernanda Machado.

Entre os convidados que esperaram 3 horas pelos 10 minutos de show (da Diva Von Teese) estava Fernanda Young, que chegou de corset (peça que estreita a cintura) e calça preta, com suspensórios arriados (e uma melancia no pescoço). Ela disse que está ''viciada" no corset, que ja garantiu 3 cm a menos em sua cintura desde que começou a usar, sete meses atrás.

*

Fernanda está lançando uma linha de joias chamada Ayd von Young, um projeto "mais ousado até do que posar nua", e um livro chamado "O Pau". Ela usava uma das peças de sua coleção: um cordão de ouro amarelo com um pingente vazado no formato de pênis. "Estou bem focada na coisa do fálico. O pau tem a ver com o obsceno protegendo a gente do mal".


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Pra mim isso é falta.

Um ensinamento

Não consigo parar de pensar numa coisa que vi no filme brasileiro Bollywood Dream. Uma delas, pergunta para as outras qual o oposto de paz. Elas respondem: guerra, conflito. E ela diz que no I-Ching Paz significa presença de movimento. E que seu contrário seria a Estagnação.

Perfeito.


Fui checar no Google amigo e era verdade.

Thursday, October 29, 2009

Taxi Driver

- Se eu fizer uma pergunta a senhora responde?
- Sim.
- E se eu fizer algumas?
- Também.
- A senhora fala inglês?
- Falo.
- Como é "onde você vai vai? " em inglês.
- "Where are you going?"
- "uérugoim?"
- Isso, isso mesmo.
– Existe um CD que fale assim? Frases em português e inglês?
- Claro amigo, deve ter sim.
- Ahhhhh, mas não tem não. Já procurei em todos os buracos.
- Você quer aprender inglês?
- AAAAHHHHH, seria uma honra, uma alegria, uma satisfação. Cada um que chega aqui eu pergunto alguma coisa. mas veja bem, eu já tenho 52 anos. A cabeça não é mais aqueeeeela alegria. Não é muito very happy. É aqui moça? 20 reais.
- Bye, good lucky, taxi driver.
- Gunait.

Olido e região

Graças à veemente indicação de um filme por um amigo fui parar no Cine Olido, na São João. Nunca tinha ido neste cinema. chego na bilheteria e peço um ingresso para a sessão das 17hs e outro para a das 19:30hs. Não pode, disse o tiozinho. Como não pode? tenho feito isso a mostra inteira. Vai falar com aquele rapazote de amarelo, menina. Fui, não sem antes beijar a boca do tiozinho pelo menina pronunciado. Não podia mesmo, normas da casa, o rapazote de amarelo, me respondeu, sem graça. E ainda se assustou quando viu a minha credencial. Ele disse que ninguém ia lá, só quem mora na região. Aí quem se assustou fui eu. Peguei meu primeiro ingresso e fui procurar algo para comer. Nada. Nem um peruá, nem um Menthos, muito menos um croissantzinho quente. Aqui é só pra ver filme, não para comer, alguém me disse. Sendo assim fui à pé até o bar Brahma olhando os camelôs e seus óculos Gucci, Prada, Tom ford e Ray Bans dos mas coloridos. Nos DVDs piratas tinha Abraços Partidos e Aconteceu em Woodstock. Que bom, quando eu virar mendiga posso ficar na moda e interada nos últimos lançamentos cinematográficos, pensei. E continuei andando. O centro é a maior concentração de gente louca por metro quadrado. E reparei, quase todos mancam. O centro me fascina e me repulsa. E andando entre eles pensei que eles também pensaram que eu era louca. Andando perfumada, de meia-calça e um óculos maior que o meu rosto para esconder meus olhões maiores que a minha cara.
Comi e voltei para a porta do cinema para observar um pouco mais da fauna e da flora local enquanto fumava um cigarrinho. Um ser com olhos vidrados passou me olhando. Achei meio perigoso ficar la parada e entrei no cinema, com um certo receio. As paredes do cinema eram todas vermelhas, as pessoas todas estranhas. E achei que ele fosse pegar fogo como no Bastardos Inglórios. O ser de olhos vidrados entrou na sessão. Mas felizmente não me viu. Felizmente ninguém bateu uma punheta ao meu lado. Mas bateram palmas no final de À pé, um filme iraniano muito bonitinho onde um camponês quer se casar, mas só se for por amor.
A segunda sessão foi a do filme indicado, Katalin Varga. Muito bom, mas eu já tinha vivido tantas emoções no dia que tive que dar uma cochilada no ombro de um semi-homeless que estava ao meu lado.

Erramos

Eram 2:30hs e o Unibanco Artplex lotado. Uma fila como nunca tinha visto nesse horário para a mostra. Peguei um lugar na maldita fila da classe média que adora uma fila horas antes das sessão e comecei a ler para esperar. Já tinham várias pessoas na minha frente. Olhei para tras e vi uma multidão ainda maior. Tudo para um filme brasileiro, Bollywood- O sonho bollywoodiano. Achei bem estranho porque nem o Wagner Moura nem o mais novo galã Mateus Solano estavam no elenco. Vai ver é uma fila de amigos. Vai saber. Amigos adolescentes, diga-se de passagem. Achei estranho o atraso porque o filme já era para ter começado e a fila não andava. Olhei para frente para checar e estava na fila da sala 4, não na da 5. Não era para filme brasileiro, muito menos bollywoodiano. Era a pura força de hollywood que exibia o filme do Michael Jackson.

Ps:
Mas a minha sala, quando cheguei, também estava lotada. Ainda bem porque o filme é bem fofo, esgraçado. Uma delícia de assistir.

Tuesday, October 27, 2009

Mudança de planos

O bom de comprar uma credencial é poder pegar o filme que você quiser. Por exemplo, nessa terça eu ja tinha 4 ingressos para filmes que eu tinha escolhido. Meu ritual de escolha: algo que eu li, ou que me indicaram e, o mais provável, o título que eu gosto, o país, e as sessões perto do filme que eu quero ver. Nada profunda.
Hoje tinha os ingressos de filmes outros que não os que eu vi. Mudei porque tinha a pré-estréia do Chacrinha. Pensei, ao invés de camelar na chuva pelos cinemas da Paulista e região vou ficar só no Reserva para estar minimamente decente para a festa. Fiz bem. Me vesti um pouco de chacrete e saí para os filmes:
• Não é uma ilusão.
Documentário iraniano que mostra uma menina que seria uma ginásta de sucesso mas sofreu um acidente. Depois do acidente decidiu ser cantora mas as leis do Irã dizem que a voz da mulher incomoda os deuses. Ela não poderia cantar sozinha. Leis tão estranhas que proíbem certas palavras em músicas. Leis que a gente nunca imaginou. Achei bem interessante mas a minha fome era maior que a dor da pobre ex-ginásta e saí para comer.
• Samson e Delilah (austrália)
Pesado, mas bem bom. Lindas cenas. Um susto incrível numa cena muito bem filmada. Um amor sem palavras.
• O Czar
Ivan era mesmo terrível.
Depois não fui ao filme do Chacrinha mas assisti à tudo de camarote porque enquanto eu jantava as semi-preciosas celebridades davam entrevistas profundas. Nunca vi tamanha coberttura trash. Pânico, CQC, Monique Evans e um louco que rebolava com um microfone na mão e uma peruca da Marilyn Monroe quando saí para fumar um cigarro. Biafra era o rei. Rita Cadilac também. A festa foi uma viagem, num lugar no centro chamado Biroska. Um bando de esquecidos sendo fotografados a todo instante. Tanto que se qualquer um chegasse, eles não seriam grossos, pelo contrário, contariam a vida, ingenuamente, assim como no documentário. Buscando a fama perdida. Achando que ainda são celebridades. Tanto que ninguém sabia ao certo quem é famoso e importante ou não. Tanto que quando da escada, junto com todas as chacretes, a dona do Biroska agradeceu ao Amauri Jr e suas meninas..."Cadê as meninas?"- ela perguntou. Do outro lado da escada eu e Fabá acenamos. Imediatamente uma luz voltou-se para os nossos rostos. E a gente acenava e mandava beijos. Todo mundo acreditou que a gente era alguém. Aplaudiam, mas nem sabiam que não éramos as meninas do Amauri, que a gente não era nem menina. O que importa? Naquela festa o que importava era aplaudir o obscuro e ser uma obscura famosérrima. Chorei de rir. Tirei foto com o Biafra pra daqui a 15 anos, no próximo revival do Chacrinha eu ter isso documentado. Que fofo. Voei, voei, subi, subi. Uma festa muito engraçada.
Saí feliz da vida com a Dani Padilha e um cara ficou me encarando no estacionamento. Um cara aparentemente normal, até eu receber um bilhete:
Essa festa é especial.
Esse papel é especial.
Deixa eu fazer minha fezinha na sorte. Números mágicos:
**-**-**-**-**
Horácio (nome fictício), com sorte para você.
Lógico que eu não vou postar os números.
Lógico que eu vou apostar amanhã neles.
E se eu ganhar, divido com o Chacrinha.




Mostra

O bom de estar na mostra é que por duas semanas você esquece quem você é, de quem você gosta, porque você vive. Você vive o filme que viu. Anda na rua criando situações e achando que está num filme. Acha que todas as conversas são diálogos. E o melhor: não fica carente, não precisa de ninguém. Enfim, cansa mas é bom.

Mostra tudo

Ultrage:
Muito bom o argumento desse documentário que mostra a hipocrisia dos políticos americanos, gays enrustidos, que votam contra leis que beneficiam a sua própria comunidade.


Abraços Partidos:
Um Alomdóvar é sempre bom. Mas esse não é nem de longe o melhor deles.

Sunday, October 25, 2009

Intimidade

Não sei se foi a zonzeira de filmes. Sei que saí do metrô pra pegar um taxi de 5 pilas até em casa. Abri a porta da frente, ao invés da de tras. O taxista me olhou, estranhando. Achei indelicadeliza mudar de porta. Pensei: o que ele vai pensar? Aí gaguejei para dar o endereço. Ele fez um caminho que eu não faria. Quais serão as regras de uma rapariga sentar-se ao lado de um motorista de taxi com ele vazio? Coloquei o cinto e comecei a tremer. Menos de um minuto para chegar até a padaria da Harmonia, pensei. Ele me ofereceu uma bala. Nããããão...Sei lá que tom tinha esse não que eu dei. Chegou, paguei. Acho que tive medo de ficar muito perto de um personagem meu. Ou então ando vendo muito filme.

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Mostra tudo

Esqueci, tinha mais um de ontem:

• Huacho (chileno)
Bom. O retrato de uma família campesina, pobre. Quase que um documentário de tão real.

E hoje:

• Julie and Julia
Ai, amei. Ai mesmo porque pra mim doeu mais. Essa coisa de blog, de querer escrever um livro, de frustração aos 30. Fora a como sempre incrível Meryl Streep, que nesse filme está literalmente imensa, pela interpretação e pelo tamanho da personagem mesmo. Entrei no Youtube para ver quem era a verdadeira Julia Child. Era a Meryl Streep.
Aplausos para os maridos das duas na vida real.

• Playground
Pode ser bom, pode ser ruim. Não sei porque dormi que nem uma criança depois de brincar muito. É que o filme acima foi um playground pra mim.


• O Solista
Bem-vindo de volta, Robert Downey Jr. Você está ótimo, a idade e as dorgas (brincadeirinha) lhe fizeram bem. E o filme é lindo. Mas achei que eu fosse amar mais.

Abduzida

Fui abduzida pela Mostra Internacional de cinema de São Paulo. Desde sexta, só faço isso. É bom fazer o quebra-cabeça dos filmes do dia, sair correndo de um cinema para o outro, encontrar amigos sem-querer em sessões e poder comentar sobre os filmes. Abaixo, pockets resenhas dos filmes que eu vi até agora:

• A invenção da carne (Argentina):
Filme bem ao estilo Lucrécia Martel, o que no me gusta na hora, me incomoda. Mas no fim você sempre acaba pensando nele mais do que achava que iria pensar. Mas para quem tem poucas opções na mostra, não recomendo.

• Síndrome de Pinocchio (Brasil):
Socorro. Se eu falar que odiei seria um Pinocchio. É um sentimento muito maior que odiar.

• A Fita Branca (Austria, Alemanha, França, Itália):
Primoroso. Cada cena é um quadro. Cada diálogo, um filme. Cada maldade, humana.

• Maradona (Espanha, França):
Amei. Documentário sobre Dios, realizado por Emir Kusturica. Tenho que confessar, gosto do Maradona que gosta do Fidel, que morreria pelo Fidel, que é marrento, que engolia a bola, o mundo. Maradona na Argentina é Dios. E tem até a hilária religião Maradoniana com diversos fiéis, cerimônia de batizado (para entrar tem que fazer um gol com a mão) e reza própria:
Perdoai os jornalistas,
Assim como nós perdoamos a máfia napolitana.
Mas livrai-nos do Havelange.
Amém


• Tokio

Três filmes sobre a cidade de Toquio. O primeiro é do sempre genial Michel Goundry. Pra variar, excelente e lúdico.
O segundo é bom também , de Leos Carax. Muito louco.
O terceiro é lindo, uma poesia moderna, de Bong Joonh-Ho.


• Aguas Verdes (Argentina)
Gostei bastante. O filme inteiro é uma comédia sobre o ciúme do pai com a filha numas férias de verão. Mas como nenhum filme argentino tem só um gênero, ele vai ficando mais denso no final.


• O Natimorto (Brasil)
Achei longo demais e muito repetitivo. A história é boa, mas caberia melhor num média. Não achei o Lourenço Mutareli tão bom como ator como disseram. Usaria todas as roupas da Simone Spoladore. E o cabelo também

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Wednesday, October 21, 2009

Não quero mais carro, quero histórias.

Decidi, pelo menos por enquanto, não ter mais carro. Estou me sentindo livre, pobre e proletária. Ando muito. Perdi o carro mas ganho histórias todos os dias. E, como eu ja disse, quando caminho ponho também meus pensamentos para andar. Comprei um cartão fidelidade do metrô. Aprendi que posso recarregar com 8, 20 ou 50 passes. Fiquei pensando quem inventou essa conta mágica: 8, 20, 50. E se eu quiser recarregar com 30? Não posso. É mágico, é cabalístico. 8, 20 ou 50. Como sou 8 ou 50, comprei de 8 porque só tinha 20 reais. Deve ser isso! Descobri. Enfim, ando mais, vejo mais gente, leio mais, gasto menos, vou alugar a minha garagem, economizar os sapatos porque só ando de tênis. E principalmente, vou escutar mais conversas. No metrô, quando estou nele. No ônibus, se é que eu vou pegar algum. E no táxi. Ainda vou escrever um livro sobre os taxistas.
Hoje, atrasada às 7:50hs da manhã, tento pegar um táxi. O cara pára mas diz que tem uma entrega para fazer antes. Eu digo, Namasté irmão, mas penso (vai logo filho da mãe, porque se eu não pegar a aula vou perder a serenidade). Ele sai do carro como um ninja. Uma tartaruga ninja. E volta igual uma lesma dizendo que a entrega era em outro número. Aí ja faltavam 5 minutos para o meu relaxamento na aula. E eu disse: vou pegar outro taxi (e pensei, seu lerdo filho da puta). Como que por um milagre outro taxi aparece. E eu digo para o papai noel que dirige: oscar freire, o mais rápido possível. Na verdade eu estava me achando ridícula e estressada às quase 8 da manhã de um ano sabático, querendo comprar um carro por telefone. E o sábio taxista me fala: é...o natal está chegando...as pessoas ja começam a ter mais pressa. Pressa? Que abominável. Não quero ter pressa. Nem para a yoga. O pior é que na vida nem que você não queira, tudo tem um tempo, um horário, até a yoga. Tchau Papai Noel, fico aqui na esquina porque eu corro mais que o seu carro. Na segunda respiração da aula ja desisti de ter carro de novo.
Andei muito hoje pensando nisso. Literalmente. E meus pensamentos tinham altos e baixos igual à rua Paris. Meus pensamentos fritavam mais do que meu cabelo tingido. Cabelos tingidos sempre fritam mais. Cheguei suando, pingando e transtornada na aula de italiano. A professora perguntou se eu fui assaltada de novo. Nada. Era eu mesma que tinha me feito aquilo, subindo e descendo ladeiras.
À noite, voltando de um aniversário na Augusta, peguei um táxi.
Conversando com o taxista, percebi que ele tinha um sotaque diferente e perguntei de onde ele era. Ele me disse que tinha nascido aqui, mas que a família era de Alfenas, em Minas. E que foi passar uns tempos lá. Por isso o sotaque. E que lá encontrou uma boba (assim mesmo, boba). E ele, bobo, casou com ela e veio pra cá. E teve três bobas. E as bobas casaram com outros bobos e tiveram, ao todo, seis bobinhos. Você tá me entendendo? Os bobinhos são meus netos. E quando estávamos chegando em casa ele continuou falando sobre essa bobagem e disse que todo mundo morava junto. Ele, a boba, as bobas-filhas, os bobos-maridos e os bobinhos netos. Se eu soubesse fazer contas diria: nossa, 14 pessoas numa casa! Mas acabei perguntando quantos quartos tinha a casa. Ele disse que era bem grande. E que queria mais gente ainda la dentro.
Paguei, disse que tinha sido um prazer conhecê-lo. E ele disse: boa noite..E quando eu tava la fora completou: ei, fia! cuidado pra não encontrar um bobo e ficar fazendo bobaiada por aí.
Um bobo eu não sei. Mas eu prefiro encontrar histórias do que um carro.

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Tuesday, October 20, 2009

Feliz

Meu organismo voltou a produzir textos que não são para esse blog. Nem Activia tava adiantando. Mas descobri que é uma questão de remodelar a rotina e se colocar horários.

O país do contrário

Que raiva. Aqui é tudo ao contrário.
O conceito de loft no mundo inteiro é ser uma moradia mais barata, um galpão reformado ou coisa que o valha. Aqui loft é mais caro que apartamento.
Bistrot na França é um restaurante caseiros com poucos pratos e bem baratinho. Aqui é uma fortuna.
E o que dizer do Cinquecento? Um carro popularíssimo de 60.000 reais.
O que me conforta são as havaianas e as pingas 51 vendidas a preço de ouro la fora. Mentira, não conforta nada.

Boteco Bohemia





A quarta edição da Van Pira Tour pelos bares do Boteco Bohemia foi um sucesso de público e crítica. Foram 15 participantes, 8 bares e 400 gargalhadas. O melhor petisco foi a alcachofra do bar Memorial. O melhor bar, pra variar, foi o mais famoso: O Famoso Bar do Justo. Nada mais justo ele ser sempre campeão. Melhor ainda é às vezes sair do circuito Vila Madalena. Do Brooklin à Santana a gente vai vendo que mora em várias cidades numa só. Muda-se o jeito de se vestir, de falar, de sentar. Muda o perfume do banheiro. Só não muda o ritual botequeiro de sentar numa calçada com amigos e tomar uma boa cerveja para molhar as palavras. Se eu tomasse Engov tomaria 2. Todo mundo amou, menos o meu fígado.

Monday, October 19, 2009

Reserva Paloma


Alô Alô Teresinha

Quem foi ver e não gostar que atire o primeiro bacalhau.
Aliás, atirar bacalhau na platéia é certo ou errado? É ruim ou é bom?
Repetir os mesmos bordões desconexos com uma voz peculiar durante anos é ruim ou é bom?
Interromper os cantores convidados no meio da música é ruim ou é bom?
Um velho barrigudo se fantasiar de noiva, Carmem Miranda e havaiana é ruim ou é bom?
Misturar calouros, mulheres semi-nuas (ou semi-putas), Ney Matogrosso e Chiclete com Banana é ruim ou é bom?
Não dá para saber. Não dá para ter parâmetro porque o mundo do Chacrinha não tinha comparação.
E um documentário sobre um apresentador palhaço deve ser engraçado, certo? Certo. Ou errado, porque é triste também. Ver a decadência das Chacretes, as mulheres mais desejadas de uma época; ver cantores cheios de botox e lembranças; ver gente que ainda mora no passado e não soube envelhecer dignamente é triste. E dá medo.
Tão feliz quanto triste o documentário é assim, inexplicável como Chacrinha.

Friday, October 16, 2009

Ainda Veneza

Vi esse texto na bienalle e amei:

Gilbert and George, the sculptors, say:

WE ARE ONLY HUMAN SCULPTORS


We are only human sculptors in that we get up every day, walking sometimes, reading rarely, eating often, thinking aways, smoking moderately, enjoying enjoyment, looking, relaxing to see, loving nightly, finding amusement, encouraging life, fighting boredom, being natural, daydreaming, travelling along, drawing occasionaly, talking lightly, tea drinking, feeling tired, dancing sometimes, philosophising a lot, criticising never, whistling tunefully, dying very slowly, laughing nervously, greeting politely and waiting till the day brakes.

Fim de noite no Genésio

Não é poético?


Wednesday, October 14, 2009

Abre a porteira que passa boi passa boiada

Uma conjunção do fim da TPM, com o aparecimento do sol e a lua em sabe-se lá que cargas de planeta. Era tudo que eu precisava. É incrível como quando você abre uma portícula de esperança nela passa boi, passam boiadas. Às vezes me esqueço que somos nós que temos o cadeado dessa porteira. O problema é que os hormônios são burros e desmemoriados. Fazer o que?Tem que ser que nem caipira. Sentar e esperar a tristeza falsa passar. Tirando as dores musculares de tanto exercício, estou ótima de novo. Tenho um milhão de amigos de novo. Tomara que cada um me dê um real.

Tuesday, October 13, 2009

Centro

No feriado fui até o CCBB ver a exposição sobre a virada Russa. Mais do que recomendo. Mando. Imperdível.
Ainda mais num domingo com céu azul e o centro parecendo que era meu. Que era seguro. Queria tanto, tanto que o centro de São Paulo fosse realmente como tantos outros centros do mundo. Se ele fosse, possivelmente, do jeito que São Paulo está, seria realmente o centro do mundo. Torço por você. Mas como sou corinthiana digo: vai...é nóis no centro.


Bastardos gloriosos

Salve, salve Tarantino e seus diálogos mais do que gloriosos, divinos.
Salve o Brad Pitt. (não precisa salvar a Angelina)
Me salvem também, antes que eu me suicide pensando nesse roteiro. Minhas telas estavam precisando de um filme assim.

O excesso e o marasmo

Sou do excesso. Excesso de vida. Assim como a palavra excesso que tem x, tem c e tem dois esses. Quando viajo, volto no último minuto; quando saio, não sei voltar; quando leio, não consigo parar; quando gosto não sei como estar sem; quando como sou um leão; quando não quero, como uma alface; quando estou bem, não vejo TV; quando estou mal, assisto as 3 novelas; quando rio, gargalho; quando choro, chovo. Essa semana decidi que quero me equilibrar. O problema será o equilíbrio em excesso. Isso existe?

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